Nasci na madrugada do dia 07 de fevereiro do ano de 1975, em Santana do Livramento/ RS. Meu pai, o sargento Enilo, era militar, queria me dar o nome de uma ex namorada, Jurema, mas graças a Deus a minha mãe, dona Delia, se indignou e impediu. Nada contra as Juremas, mas eu não gostaria de ter esse nome justamente pela alusão àquela namorada, aliás eu queria me chamar Tatiane, para ter o apelido de Tati. Tanto que na escola, nos trabalhos e provas, eu escrevia o meu nome Luciana Tatiane Braz Corrales (risos).
Eu adorava gatos e brincar de fazendinha com meu irmão, Emerson, e com os primos na casa dos meus avós maternos, vô Gil e vó Universina. Eu sempre fui bem inteligente, fiquei apenas uma semana no pré-escolar e fui promovida a primeira série. Estudava com a minha irmã, Adriana, um ano mais velha e era muito legal essa parceria.
Desde criança, o empreendedorismo sempre fez parte da minha vida, ainda que eu não tivesse ciência disso. Vendia suco de pozinho para meus amiguinhos, que juravam que iam me pagar depois, mas o dinheiro nunca vinha, acabava trocando por lanchinhos, afinal, de alguma forma eles precisavam me pagar. Fazia permutas e não sabia, risos.
Meus pais se separaram quando eu tinha uns 7 anos de idade e vivemos um tempo de bastante dificuldade. Lembro do dia que tinha apenas 4 ovos e café, mas eramos 5 em casa e eu perguntei para minha mãe se ela não ia comer e ela respondeu que estava sem fome. Minha irmã, a Adri, dividiu o ovo dela com a minha mãe. Eu via que não tinha as coisas em casa e percebia minha mãe chorando disfarçadamente, mas não falava nada. Apenas percebia meu avô trazendo leite e pão pra gente e era muito grata por isso. Um tempo depois meu pai decidiu voltar pra casa e pediu transferência na Brigada Militar e nos mudamos para outra cidade.
Em 4 de julho de 1984, quando estava na 4ª serie, saímos da minha cidade natal e fomos morar em Novo Hamburgo, onde vivo até hoje. Foi uma mudança e tanto! Nas férias a gente sempre viajava para nossa terra natal para visitar a família e ficava lá desde o natal até uma semana antes do início das aulas.
Na adolescência colecionava, trocava e vendia papéis de carta (que época boa)... Lembro que fazia amizade com as coleguinhas que eram mais ricas só para poder conseguir ganhar alguns e trocar com elas os papéis lindos que elas podiam comprar. Foi minha primeira network, só hoje me dou conta disso.
As 18 anos casei e, infelizmente, precisei abrir mão de alguns sonhos para trabalhar fora.
Quando nasceu meu primogênito, o Marcos Vinícius, aos meus 21 anos de idade, decidi ficar em casa para cuidar dele pelo menos por um tempo. Nesse período, vendia picolé em casa e docinhos para ganhar um renda extra. Mas eu não conseguia divulgar os produtos e confesso que não estava gostando nada dessa área. Mal sabia eu que era porque estava no nicho errado ou por falta de marketing eu não alcançava os resultados satisfatórios e por isso desanimei.
Foi quando aprendi a fazer crochê e fazia lindos conjuntos de tapete com barbante e como era muito boa nisso, recebia muitas encomendas, logo precisei fazer uma lista de espera para poder atender os pedidos. Vendi para todas as pessoas do meu círculo de amizade e acabei parando porque não tinha visão de negócio e na época não ia atrás de conhecimento, não sabia que eu poderia oferecer e vender em lojas ou mesmo sair das quatro paredes. Embora eu saiba que isso explica, mas não justifica! Parei para retornar ao mercado de trabalho.
Trabalhei por dois anos em uma escola de idiomas, o Yázigi, e por ser funcionária podia estudar de graça, aproveitei para estudar inglês e comecei a faculdade de Letras com especialização em Inglês, mas precisei sair para cuidar do meu filho, na época com problemas de saúde, pedi demissão e tranquei o curso no segundo semestre, pois como quem pagava a faculdade era eu e sem apoio financeiro do marido, acabei cancelando a matrícula.
Tive oportunidade de aprender ponto cruz e pintura em tecido e comecei a fazer lindos panos de prato, tapetes e toalhas pintados à mão, tudo muito delicado e bonito. Ganhei um bom dinheiro com isso. Nunca fui de ficar parada sem ter meu próprio dinheirinho. Sempre fui curiosa e empreendedora. Via alguma coisa e queria saber como era. Não tinha sossego, tava sempre aprendendo tudo que via pela frente. Até hoje sou assim, eu gosto de saber fazer as coisas.
Os anos se passaram e com a ajuda do meu pai, que na época me emprestou um valor, eu comprei uma loja e comecei a viajar pra Santa Catarina e São Paulo buscar roupas. Foi uma época maravilhosa! Eu não tinha medo! Eu viajava uma vez por mês pelo menos e estava crescendo cada dia mais. Mas a vida me pregou uma peça e acabei me divorciando, da forma mais inusitada e traumática possível, da maneira que jamais pensei em vivenciar. Passei um longo processo de aprendizagem, principalmente sobre resiliência.
É impressionante com a vida pode ter uma reviravolta e a gente passar por coisas que nunca imaginamos e o pior de tudo é enfrentar a discriminação das pessoas. Sim, fui muito discriminada quando me divorciei, afinal eu era a "separada", parecia que era uma ameaça aos casamentos alheios (e olha que nuca fui namoradeira e muito menos adúltera, apesar de ter sido acusada disso por várias pessoas). Só sei que foi o pior tempo da minha vida e mais traumático até então. As amigas sumiram e eu me vi sozinha com dois filhos para criar, um processo de abuso sexual infantil para desbravar e apenas Deus e a minha mãe para me ajudar e isso foi o suficente.
Passei por muita coisa e um dia conto para vocês, mas o fato é que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e um dia quem sabe eu escrevo uma biografia, pois com certeza iria ajudar muitas mulheres que vivem um casamento abusivo e sem perpectiva acabam se anulando e esse processo na maioria das vezes acaba em tragédia, como foi o meu caso, mas isso é outro assunto.
Depois de um tempo eu me reergui, comecei a caminhar com as próprias pernas e apesar de estar decidida a nunca mais me relacionar de novo Deus me surpreendeu com um presente.... Quando menos esperava eu fui escolhida, sim, alguém me escolheu e disse: É ela Jesus, me dá ela! E foi assim que eu conheci o verdadeiro amor da minha vida! Um homem de Deus que amou os meus filhos e me amou. Ele cuidou da gente e cuida até hoje.
Voltei a estudar, fiz o Enem, passei e cursei Direito, Pós- Graduação em Direito Penal, me tornei uma pregadora da Palavra de Deus, palestrante e atuante na igreja local.
Viajo o Brasil e fora dele pregando e ministrando a Palavra, ensinando professores em Seminários e Treinamentos.
Vivo a plenitude do que Deus tem para mim e minha família e desfruto das bençaos que o Senhor nos proporciona.
Sou muito feliz e realizada e isso não é só uma frase bonita, mas a realidade de quem já passou por muita coisa, mas nunca negou a fé e nem se afastou, nem para a direita e nem para a esquerda, mas permaneceu firme, amando a Deus sobre todas as coisas, honrando a ele com a minha fidelidade e devoção e servindo a Ele com alegria e dedicação.
Este é apenas um resumão da minha história.
Tem muito mais e muitos testemunhos para contar. Acompanhe tudo em nossas redes sociais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Agradecemos seu comentário! Ele enriquece nosso blog!